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O ex-presidente Lula vai ser interrogado sobre um dos processos

 

Após mais de seis anos do inicio da maior investigação contra a corrupção da política nacional, o Brasil vai assistir, nesta quarta-feira (10), ao depoimento do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) ao juiz da Operação Lava Jato Sérgio Moro. Marcada para às 14h, na 13ª Vara Federal de Curitiba-PR, o interrogatório colocará frente a frente os dois principais personagens da investigação. Lula será ouvido sobre um dos quatro processos movidos contra ele na Lava Jato. Neste, o ex-presidente é acusado de receber vantagens indevidas da construtora OAS para a reforma de um triplex, no Guarujá, litoral de São Paulo, e um sítio em Atibaia, no interior paulista.

Inicialmente, o depoimento havia sido agendado para o dia 3 de maio, porém, com a convocação de manifestações contrárias e favoráveis a Lula, a Secretaria de Segurança do Paraná e a Polícia Federal pediram  o adiamento por motivos de segurança. De acordo com Moro, apesar de toda a expectativa, o depoimento não deve gerar novas informações sobre o caso e nem dar pistas do seu desfecho, ao menos no que envolve o ex-presidente. A afirmação foi feita em vídeo divulgado pelo próprio magistrado na rede social da sua esposa onde ele também pede aos simpatizantes da Operação Lava Jato para não irem a Curitiba nesta quarta-feira para “evitar confusão e que ninguém se machuque”. No mesmo vídeo, Moro garante que “nada de diferente ou anormal” irá acontecer e que o interrogatório é um “ato normal do processo”. 

Manifestações
O medo do juiz da Lava Jato parece justificável. Caravanas de apoiadores e opositores saíram de vários pontos do país rumo à Curitiba desde o fim de semana passado. A expectativa do movimento pró-Lula é reunir 30 mil pessoas. Já do lado dos opositores, a previsão é reunir cerca de 10 mil pessoas. Com a expectativa de manifestações durante todo o dia, o esquema de segurança na cidade foi reforçado, inclusive com a separação geográfica dos dois grupos. Com o argumento de zelar pela ordem e o patrimônio público, a Justiça do Paraná proibiu manifestações nas proximidades da sede da Justiça Federal em Curitiba, onde acontecerá o depoimento. Uma portaria suspendeu o atendimento ao público e a entrada de pessoas não autorizadas nas dependências do prédio no dia do interrogatório. A decisão foi tomada a pedido da Procuradoria Municipal de Curitiba. 

Adiamento
Os advogados do ex-presidente Lula ainda tentaram adiar o depoimento alegando que não houve tempo hábil para analisar os documentos que foram juntados ao processo entre os dias 28 de abril e 2 de maio por meio digital. O pedido foi negado. 
A defesa tentou ainda,  junto à 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, reverter a decisão que negou a gravação própria pelos advogados do depoimento de Lula, assim como a mudança do sistema de captação das imagens (fixado no réu). Os advogados do ex-presidente argumentaram que a gravação da audiência é uma prerrogativa do advogado e está prevista no artigo 367, parágrafo sexto, do Código de Processo Civil. O juiz federal Nivaldo Brunoni considerou o pedido “inusitado” e “sem lógica”. Ele justificou a sua negativa afirmando que até hoje nunca soube que a gravação oficial feita pela Justiça pudesse prejudicar algum réu.

Jornal Metas 10/05/2017