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Familiares e vizinhos não concordam com a decisão da Justiça que retirou três crianças dos seus pais

 

Há 15 dias, um casal gasparense viu sua vida sofrer uma reviravolta após justiça determinar o acolhimento institucional de seus três filhos. As crianças, de 10, oito e sete anos foram levadas para a Casa Lar no dia 26 de abril. A suspeita é que elas tenham sofrido abuso sexual e maus tratos. A decisão, porém, causou revolta nos pais e vizinhos, que nesta segunda-feira (8) foram para frente do Fórum protestar. “Tenho certeza que isso não é verdade. Não foi justo o que fizeram com esta família. Queria que a juíza sentisse a dor que estamos sentindo”, ressalta uma das manifestantes. 

Outra vizinha disse que todos foram surpreendidos com a notícia. “Conheço a família há um ano e meio. A mãe sempre foi muito atenciosa com as crianças”, defende. Os vizinhos até fizeram uma “vaquinha” para pagar uma advogada para o casal. “Fomos injustiçados, não sei porque isto está acontecendo. Nunca tivemos problemas, nunca fomos chamados na escola. Não consigo entender, só quero meus filhos de volta”, desespera-se a mãe.

A liminar que determinou o acolhimento institucional das crianças foi assinada pela juíza da Vara da Infância e Juventude, Liana Bardini Alves, após ação ajuizada pelo Ministério Público. Segundo informações, a denúncia teria partido de uma professora da escola, que teria omitido o fato da direção. “Não foi uma decisão justa, foi extremamente radical. Neste caso, uma medida que é excepcional foi tomada como regra”, afirma a advogada do casal, Ana Carolini Deschamps. Ela também questiona a capacidade técnica da professora em avaliar as crianças. “Como a denúncia partiu de dentro da escola, o Conselho Tutelar é que deveria ter sido chamado. Além disso, outras medidas poderiam ter sido adotadas antes do acolhimento, como encaminhar as crianças à família extensa. A advogada chegou a protocolar a defesa, pedindo que a juíza reconsiderasse a decisão.

“Ela não aceitou e agora vou interpor recurso de agravo de instrumento, para tentar reverter a decisão e trazer as crianças de volta para a casa ou que sejam encaminhadas à família extensa até o fim do processo”. A advogada está confiante. “Acredito que em 2º grau a justiça será feita. Todas as provas são favoráveis aos pais e, além disso, os exames de corpo de delito nas três crianças deram negativo tanto para abuso sexual quanto para maus tratos”, revela. A redação do Jornal Metas procurou a juíza mas, através de sua assessoria, ela informou que não comenta casos em andamento e que sobre esse, em especial, não se pronunciaria pois corre em segredo de justiça. A direção da escola também não quis comentar o fato. Já o Conselho Tutelar, que ficou sabendo do caso somente no início desta semana, disse que a justiça tem autonomia para tomar qualquer decisão sem precisar ouvir o Conselho.

Jornal Metas 10/05/2017