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Fogão a lenha todo dia, bolsa térmica na cama e resistência: a rotina de quem vive em uma das regiões mais frias do Brasil
11/08/2026
(Foto: Reprodução) Conheça a rotina de quem vive em uma das regiões mais frias do Brasil
Todos os dias, Téia Palhano e a mãe, Leide Palhano, repetem um ritual que as acompanha cada inverno. As chamas acesas durante todo o dia no fogão a lenha aquecem a casa. Os casacos reforçados protegem os corpos e as bolsas térmicas espantam o frio nas camas na hora de dormir. Moradoras de São Joaquim, as duas seguem uma rotina comum de quem vive na Serra de Santa Catarina e afirmam que, além da estrutura, é preciso resistência e força para enfrentar o frio.
“Tem que ser forte, ter fogão com lenha, aquecedores e coberta boa”, resume Leide, de 83 anos, que sempre viveu na cidade.
🌡️ ❄️ Com altitude média de 1.300 metros acima do nível do mar e cerca de 25 mil habitantes, São Joaquim é uma das cidades mais frias do Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura média anual é de 13,5 °C, a mais baixa registrada do país.
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Casa de Zilma Nunes Nesi, de 73 anos, e do marido, Avelino Nesi, 78, em São Joaquim
Caroline Borges/g1
Algo parecido também acontece na casa de Zilma Nunes Nesi, de 73 anos, e do marido, Avelino Nesi, de 78. Na cozinha recém-construída em um anexo à casa de madeira, a família se reúne ao redor do fogão a lenha diariamente.
O equipamento acompanha a família há mais de 40 anos e, recentemente, foi levado para um novo cômodo, onde também foi instalada uma serpentina que agora aquece a água que circula no encanamento da casa.
Além disso, também contam com um ar-condicionado com temperatura quente e aquecedores nos quartos e na sala. Para proteger as plantas mais sensíveis e as abelhas que cria, Zilma as recolhe para dentro de casa nos dias mais frios.
“Senão, elas [as abelhas] ficam lá fora, saem e daí, elas acabam congelando, não achando comida. Então, aqui a gente alimenta elas e deixa elas guardadinhas”, explica a professora de Língua Portuguesa.
Bolsas térmicas usadas por moradores de São Joaquim para aquecer as camas durante a noite
Caroline Borges/g1
O frio intenso ocorre, segundo o Inmet, por um fato geográfico. A cidade, junto com Bom Jardim da Serra, Urubici, Urupema e outros municípios da região, está longe da linha do Equador e fica em uma área próxima de 1.400 metros de altitude. Além disso, a chegada frequente de massas de ar polar na região contribui para a queda das temperaturas.
Na região, o efeito gelado é tão intenso que algumas cidades chegam a suspender as aulas. Outras optam por não lançar falta para alunos que não compareceram, a fim de evitar que estudantes e professores enfrentem o amanhecer congelante. Além disso, é comum que órgãos de trânsito espalhem sal nas estradas para impedir a formação de gelo nos dias mais frios.
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A família Nesi mora perto do Vale do Caminhos da Neve, região conhecida pela frequência da formação de geada, rotina na cidade. Além do fenômeno que deixa os campos cobertos de gelo, a neve já foi registrada diversas vezes no quintal de casa (veja a imagem abaixo).
Fotos antigas guardadas pela família mostram registro de neve nos anos 90
Caroline Borges/g1
Além de exigir adaptações na rotina, o frio também pesa no bolso dos moradores, que precisam investir em roupas mais reforçadas e equipamentos para enfrentar as baixas temperaturas, explica Zilma.
Nos dias de inverno, a conta de luz aumenta, e ela e o esposo ainda recorrem à lenha do sítio para aquecer a lareira. Sem esse recurso, o gasto seria de cerca de R$ 15 por caixa de lenha.
Outra estratégia para amenizar o frio aparece na própria construção das casas. A filha de Zilma, por exemplo, instalou placas de isopor entre as paredes da própria casa recém-construída para melhorar o isolamento térmico e manter os ambientes mais aquecidos.
Os moradores de São Joaquim afirmam que o clima é ameno o ano todo na cidade, mas as menores temperaturas começam no fim de abril e seguem até meados de setembro.
Como consequência, a conta de luz pode até dobrar de valor, diz o vendedor de pinhão Vânio Nunes. Ele diz pagar cerca de R$ 300 para a família de quatro pessoas, enquanto em janeiro, o valor chega a cerca de R$ 150.
“É sempre assim. E você também tem que, em toda a sua vida, ter uma blusa dentro do carro, uma blusa no escritório, outra de trabalho”, completa.
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