Planejamento sucessório pode ser um risco para propriedades familiares em Santa Catarina

  • 15/05/2026
(Foto: Reprodução)
De acordo com o Censo Demográfico do IBGE, divulgado em 1950, cerca de 76% da população catarinense vivia em áreas rurais. Esse número despencou nos últimos anos, e em 2010, esse índice passou para 16%. A migração de pessoas, principalmente as gerações mais jovens, para a cidade, é uma das principais responsáveis por esses números. No entanto, a dificuldade de permanência pode representar um risco, especialmente para as propriedades familiares. A discussão sobre o êxodo rural no Brasil iniciou entre as décadas de 70 e 80. Na época, a modernização da produção agrícola, a concentração fundiária e a busca por melhores condições de vida motivaram que mais da metade da população se mudasse para as cidades. Atualmente, o cenário é outro: boa parte dos jovens saem do interior para estudar em grandes centros, constroem carreiras e abandonam a vida no campo. Atualmente, Santa Catarina tem 375 mil propriedades rurais registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), e a grande maioria é conduzida por agricultores familiares. Em 2017, o Censo Agropecuário divulgado pelo IBGE evidenciou o envelhecimento da população rural como um dos principais fatores de risco para a continuidade desses espaços. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) avalia que são esses dados que reforçam a necessidade de políticas que promovam a permanência dos jovens no campo, com oportunidades reais de desenvolvimento econômico, social e profissional. Por isso, desde 2012, a empresa oferece capacitações específicas para esse público, com o objetivo de profissionalizar a atividade agrícola e manter os jovens no campo e no mar com boa renda e qualidade de vida. Desafio é estimular os jovens a permanecerem no campo Ainda como uma alternativa para contornar o êxodo rural e melhorar a sucessão no campo, o Governo de Santa Catarina também tem atuado em prol da permanência dos jovens no agronegócio. Uma das iniciativas é o Programa Jovem Aprendiz Rural, conduzido em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE-SC) e a Cooperativa Aurora. O projeto oferece mil vagas para alunos dos Cedups Agrotécnicos, com carga horária de 20 horas semanais e remuneração de R$ 810,50 mensais. Neste ano, mais de 520 estudantes já estão contratados, e ainda, há uma meta de chegar a 990 contratações até o fim do primeiro semestre. Os CEDUPs Agrotécnicos são instituições públicas de ensino, distribuídas por todo o estado, que atuam na formação de jovens, através da união entre a educação básica e o curso Técnico em Agropecuária. Nestas escolas, os estudantes têm acesso a infraestrutura pedagógica, laboratórios, unidades produtivas e áreas experimentais, para aprenderem na prática as competências voltadas ao meio rural. A gestão dessas escolas é compartilhada entre a Epagri e a Secretaria de Educação. O objetivo é fortalecer o ensino agrotécnico em Santa Catarina e oferecer a capacitação necessária para que os jovens vejam o trabalho rural como uma oportunidade de desenvolvimento. Atualmente, estudam mais de 1.500 jovens nessas instituições, e cerca de metade deles são filhos de agricultores familiares. Para 2026, o Governo do Estado deve investir mais de R$ 20,5 milhões em treinamentos nas cinco unidades disponíveis no estado. Outra instituição que tem promovido capacitações sobre a sucessão rural é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SC), que oferece cursos de planejamento sucessório em todo o estado. Em 2025, foram mais de 1.400 eventos de capacitação em todo o estado, com 38 mil participantes. A entidade aponta que a procura por esses cursos cresceu nos últimos dois anos, impulsionada pelo envelhecimento dos produtores e pela percepção de que a descontinuidade das atividades custa caro. Acesso à moradia e crédito ampliam a permanência Em março de 2026, também para fortalecer a permanência dos jovens no campo, o Governo de Santa Catarina lançou uma linha de crédito habitacional para produtores de 18 a 29 anos, A iniciativa conta com financiamentos do Pronaf de até R$ 100 mil por família e subsídio de juros pelo Estado via Pronampe Agro SC. No ano passado, programas de habitação e capacitação atenderam mais de 600 mulheres e jovens no estado, com investimento de R$ 10,4 milhões. Para 2026, o Governo Estadual projeta investir mais, com o montante de R$ 12,5 milhões. Com acesso a condições de moradia adequadas, a permanência se torna mais fácil. Não é só o Governo Estadual que tem olhado para políticas públicas que incentivem a permanência. Em 2025, o Senado federal aprovou em 2025 a Política Nacional de Juventude e Sucessão Rural (PL 2.674/2025), que articula acesso à terra, crédito, ensino técnico e formação de cooperativas de jovens agricultores. A lei reconhece que a sucessão deve ser uma política pública, já que está diretamente ligada à continuidade da produção de alimentos.

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/campo-e-negocios/noticia/2026/05/15/planejamento-sucessorio-pode-ser-um-risco-para-propriedades-familiares-em-santa-catarina.ghtml


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